“Córrego Zéfa Gomes…? ”Calamidade!!!

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Em várias oportunidades escrevemos a respeito das áreas de preservação permanente (APPs), Mata da Bica, Córrego Josefa Gomes, Salto do Itiquira, Córrego Bandeirinha destacando sua importância ambiental. Infelizmente, algumas pessoas ainda vêem as APPs como uma boa oportunidade financeira (loteamentos, agricultura) ou um local para construir sua casa de campo. São áreas que têm de ser protegidas, para que o meio ambiente possa ser preservado. A ocupação irregular das APPs causa danos não somente ambientais, mas humanos. O maior exemplo em outras cidades que  já sofreram com inundações e por que não dizer aqui em Formosa.

Quem lê um jornal, freqüentemente se depara com notícias do tipo: o planeta Terra está aquecendo, as geleiras estão derretendo, os rios contaminados matam peixes e intoxicam a população local, o buraco na camada de ozônio e os gases do efeito estufa preocupam os cientistas. Essas e outras notícias, de tão exaustivamente batidas, acabam passando como qualquer outra, mas a questão é: até quando vamos ignorar um pedido de socorro do nosso meio ambiente? Será que teremos que esperar a água de nossas casas acabar (como já ocorre em nossas torneiras nos dias de hoje) ou o calor se tornar insuportável? Devemos aguardar que as conseqüências batam a nossa porta de forma inexorável para só então percebermos o quanto fomos inconsequentes e irresponsáveis com o patrimônio natural que nos foi presenteado?

Vídeo encaminhado por Vilmar (Whatsap)

Infelizmente, nós seres humanos, de uma forma geral, nos consideramos superiores a tudo e a todos que habitam o planeta. Essa pretensa superioridade não nos permite enxergar que somos tão dependentes da saúde do ambiente quanto um peixe é do oxigênio contido na água. A tendência à superioridade, somada à ganância incondicional, nos tornaram as maiores ameaças à vida no planeta. Além de destruir a grande biodiversidade do planeta, seremos vítimas de nossos próprios erros e vamos sofrer fortemente as conseqüências.

A falta de conscientização e respeito do ser humano contribui sobremaneira para a degradação ambiental acelerada.

As mudanças que o mundo tem sofrido e, principalmente, o ritmo com que elas têm ocorrido, leva-nos a repensar os valores de cidadania e o papel do cidadão como co-responsável no processo de preservação do meio ambiente. Nessa linha de abordagem, não precisa ser perito no assunto para entender que os crimes ambientais – como desmatamentos para a implantação de áreas de lazer e lançamentos indevidos de esgotos no leito de um curso d´água como o do Córrego Josefa Gomes   têm ocasionado grandes estragos no meio ambiente. Em específico, grande parte do seu leito já houve destruição, e para tentar reverter esse processo acelerado de devastação é preciso preservar, e mais, garantir o reflorestamento como forma de recuperação ambiental. Convém ponderar, obviamente, que não está sendo condenado aqui o uso racional do solo, mas as atividades que degradam o meio ambiente e geram grandes perdas na biodiversidade.

A destruição de matas ciliares e despejo de esgotos como  o que acontece no Zéfa Gomes é uma grande contribuição para o caos. É bem verdade que a expansão dessas atividades traz graves prejuízos, pois além de contaminar a água a erosão que se forma gera o entupimento nas proximidades das nascentes, o assoreamento, e, por conseguinte o desaparecimento dos leitos. Inadequado seria esquecer, também, que muitas pessoas não se preocupam com a proteção de lugares que não fazem parte do seu dia-a-dia, mas as conseqüências desse desinteresse já estão dentro da casa daqueles que se dizem cidadãos. Aliás, nem mesmo sabem que direito é tudo aquilo que oferece privilégios a uma sociedade, e dever é tudo que é obrigado a fazer de acordo com a moral, os costumes e a legislação, (que em Formosa está sendo desrespeitada) que juntos legitimam a cidadania. O cidadão é o que mais provoca devastação no meio em que vive, e ele mesmo sofre as conseqüências por essa atitude extremamente danosa. Ao nosso pensar, as nossas nascentes pedem  socorro, e esse fato é preocupante, porque o tempo passa, o Córrego Josefa Gomes sofre, a Lagoa Feia esta desaparecendo e o cidadão não se conscientiza do imensurável valor que eles tem.

Chegou a hora de realizarmos algo para salvar os nossos maiores patrimônios. Desde logo, não se pode perder de vista que o resgate e os exercícios de cidadania devem ser práticas naturais do cidadão, haja vista que sua participação é reflexo da capacidade de interação com o meio ao qual pertence. O meio ambiente pede socorro! É tempo de ajudá-lo, e há muito a fazer.

Waldemar Maciel

Jornalista

Vídeo Vilmar (whatsap)